Oxalufã
Desde pequena sempre escutei falar sobre signos, ascendentes, luas, sóis, e por ai vai. Mas nunca consegui me identificar numa descrição completa indo para este lado. A astrologia deve ter sim seu valor, mas creio que no meu caso, eu não me encontrei nela.
Quando mais velha, descobri uma religião muito perseguida e rodeada de pré-conceitos. A umbanda.
Nela me identifiquei, conseguia as explicações para tudo o que acontecia comigo desde criança. Descobri o porque de ver sombras pelos lugares, de sentir vibrações de lugares e pessoas, de me sentir mal com algumas coisas e pessoas. Tudo tinha uma explicação lógica e física. Pra mim não adianta o famoso "porque Deus quis". Eu tenho que ver a lógica nas coisas, se não eu não consigo assimilar.
Isso vai até na minha vida acadêmica, onde se a matéria não fizer lógica na minha cabeça terei sérios problemas para aprender.
Frequentando um terrero com o Flávio e o Fábio comecei a sentir vibrações energéticas mais fortes e sentir como se passasse uma onda dentro de mim. É uma sensação muito boa! Era como se fosse aqueles passes que eu tomava no Kardecismo, só que ampliado. Como se a energia pura estivesse ali me limpando de tudo.
Conforme o tempo foi passando eu percebi que essa intensidade energética ia aumentando, e que novas sensações iam surgindo, como seu eu estivesse saindo do meu corpo. Os meninos foram me explicando que isso acontecia com médiuns, então eu tive que admitir algo que até então não tinha, eu era médiun, querendo ou não.
A entidade que me atendeu um determinado dia falou que eu deveria desenvolver aquele meu dom, e que falasse com o dirigente da casa e começasse a desenvolver. Fui e acertei tudo. Mas algumas coisas aconteceram e eu me senti meio afastada daquela casa. Passei anos sem frequentar nenhuma outra por não saber onde tem. Pois é, o pré-conceito das pessoas fazem com que as casas de Umbanda e Candomblé se mantenham escondidas para evitar retaliações.
Quando comentando com uma amiga, a Júlia, ela me falou que tinha uma no Varjão, onde ela frequentava, e me levou lá. No mesmo dia senti todas as sensações novamente e percebi que mais uma vez estava sendo aberto meu caminho para desenvolver. Comecei a frequentar e outra entidade me chamou para participar da casa. Conversei com a Mãe de Santo da casa e comecei os preparativos para entrar na casa. O Pai de Santo jogou os búzios para eu saber quem seriam meus orixás regentes e outras coisas. Nesse jogo percebi que a espiritualidade está sempre com todos, até mesmo nos pequenos gestos que nos cercam. E descobri que meu orixá de frente era Oxalá, o velho, conhecido como Oxafulã, e minha mãe era Iemanjá. Fiquei sabendo quem eram meus padrinhos, Oxum e Xangô. Vi que os acontecimentos até aquele momento em minha vida foram todos ditados pelas entidades, meus guias pra me protegerem e pra me ajudar a desenvolver.
Com esses conhecimentos em mãos resolvi pesquisar e saber mais sobre os orixás, sobre a Umbanda e sobre mediunidade. Descobri muitas coisas interessante, como o sincretismo dos orixás com santos católicos, feitos pelos negros para poderem cultuar sua religião sem muita perseguição. Descobri que cada orixá tem suas características, e que quando combinados seus filhos tem características próprias. Assim sendo resolvi pesquisar e descobri como seria essa minha personalidade.
E qual não foi minha surpresa quando finalmente alguém me descrevia perfeitamente, com defeitos e qualidades! Encontrei uma descrição totalmente condizente com a verdade, com meu jeito de ser.
Sendo filha de Oxalá e Iemanjá eu tinha a minha personalidade forte, marcante e velha. Descobri então porque eu me sentia muito mais velha do que todos, porque eu trato a minha mãe como se fosse minha filha, e faço isso com todos a minha volta. Porque não gosto de aglomerações, gosto de ser respeitada e mantenho uma hierarquia a minha volta.
Arquétipo do filho de Oxalá:
Os filhos deste orisa são pessoas calmas e dignas de confiança. São dotados de grande sabedoria, pois estão sempre buscando os significados de tudo o que ocorre ao seu redor, não cansam de estudar e buscar o conhecimento.
Os filhos de Osalufan (velho) possuem tendência a serem preguiçosos. O trabalho braçal não os atraí, preferem buscar lugares onde possam colocar as suas idéias e projetos em atividade. Extremamente responsáveis, são ótimos projetistas e organizadores. Seus principais defeitos são: preguiça, teimosia e lentidão. Por serem calmos, nunca se deve abusar da paciência, pois quando acaba...Sabem argumentar bem, tendo uma queda para trabalhos que impliquem em organização. Gostam de centralizar tudo em torno de si mesmos. São reservados, mas raramente orgulhosos. Seu defeito mais comum é a teimosia, principalmente quando têm certeza de suas convicções; será difícil convencê-los de que estão errados ou que existem outros caminhos para a resolução de um problema.
No Oxalá mais velho (OXALUFÃ) a tendência se traduz em ranzinzice e intolerância. Fisicamente, os filhos de Oxalá tendem a apresentar um porte majestoso ou no mínimo digno, principalmente na maneira de andar e não na constituição física; não é alto e magro como o filho de Ogum nem tão compacto e forte como os filhos de Xangô. Às vezes, porém, essa maneira de caminhar e se postar dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado, como se o peso de toda uma longa vida caísse sobre seus ombros, mesmo em se tratando de alguém muito jovem.
Para que o filho de Oxalá tenha uma vida melhor, deve procurar despertar em seu interior a alegria pelas coisas que o cerca e tentar ceder à sua natural teimosia.
Para que o filho de Oxalá tenha uma vida melhor, deve procurar despertar em seu interior a alegria pelas coisas que o cerca e tentar ceder à sua natural teimosia.
Iemanjá
Arquétipo dos filhos de Iemanjá:
São autoritários e persistentes em relação aos filhos, são preocupados, responsáveis e decididos. São amigos e protetores e chegam as vezes, quando mulheres, a se comportarem como super mães. São agressivos e até traiçoeiros, quando a segurança dos filhos e da família está em jogo;'são faladores, não gostam da solidão. São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da tribo, inconsciente ancestral, e costumam, por isso casar ou associar-se cedo. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do cotidiano.
Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida, refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo, indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo são qualidades em Yemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam - o destino de todos estariam sob sua responsabilidade. Gostam de testar as pessoas.
Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida, refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo, indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo são qualidades em Yemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam - o destino de todos estariam sob sua responsabilidade. Gostam de testar as pessoas.
O que eu tive mais problema é coma vestimenta, pois Na Umbanda a cor predominante é o branco. E eu nunca gostei de vestir branco, mas agora toda sexta-feira (dia de meu Pai) eu tenho que estar totalmente de branco (e não, eu não sou feita no Candomblé, eu somente tenho uma questão de respeito com ele). E tenho que evitar roupas pretas e vermelhas, mas quem disse que eu consigo, muitas vezes estou completamente de preto. Mas sempre peço licença antes de vestir essas cores. Essa questão das cores também é física, tudo energético. O preto e o vermelho são cores carregadas, pesadas, e por isso ela não costumam ser usadas. Algumas entidades, como os Exus e Bombogiras, utilizam essas cores, porque eles trabalham com energias mais fortes, pois seus trabalhos requerem. Mas mesmo algumas tem uma modificação, minha Cigana mesmo não gosta do vermelho, a roupa dela é toda em preto e branco.
Enfim, com isso eu entendi meu jeito de ser, além claro da influencia que a criação da minha mãe e pai carnal teve no meu desenvolvimento.



1 comentários:
Ai, amor, é tão bom quando a gente acha um lugar que nos identificamos, né? Adorei a história de como você conheceu a umbanda. S2
E sobre as características por ser filha de seu Pai, olha, eu não te acho ranzinza. Será que é porque eu te amo? =D
Beijos!!
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