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terça-feira, 16 de março de 2010

O mundo gira, a calçada anda e meus pés estão parados



O caminho que passa por debaixo da janela dela parece diferente no dia seguinte. Ela está parada na beirada da sua janela, olhando os passos alheios pensando quando parou de olhar para os seus.
Olha para cima e o céu está 'parcialmente nublado', como disse a previsão do tempo. Sorriu com essa lembrança corriqueira.
Pensou, tamborilando seus dedos ritmadamente. Pensou no quanto sua vida mudara, no quanto as coisas viraram num espaço curto de tempo. Imaginou se essa roda viva iria continuar, se as coisas iriam tomar um lugar.
Seu olhar se remete novamente ao céu, pensa em quantas pessoas o estão olhando naquele momento.
É incrível como num momento se sente tão grande em seu mundo e tão pequena no momento seguinte. Olha novamente para a passarela abaixo de sua janela. Pessoas andando para todas as direções.
Ela olhou encantada esse movimento.
Que direção será que seus pés tomariam se fosse até aquela passarela? Para onde seus ventos soprariam se por algum acaso se lançasse  neles?
Seu coração apertou mediante essa perspectiva. Sentiu um puxão no estômago, e um travamento na garganta. Não sabia se não gostava de não saber onde cairia. Ou se era a excitação de não ter o seu destino em suas mãos.
Continuou encarando a calçada e tamborilando os dedos num ritmo aleatório, sem realmente prestar atenção.
Deixou os minutos passarem, até que o sono começou a fechar seus olhos e amolecer seu corpo. Chegou a hora de fechar os olhos e descansar para quem sabe outro momento observando a calçada.

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